quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O melhor atalho para o fracasso!...


O clássico e a ópera

«... Lotação esgotada para um clássico que não é decisivo mas que trará alento ou desalento como vitamina para a restante temporada. Um Benfica estável, a funcionar num misto de precisão de um relógio suíço e fiabilidade da melhor engenharia alemã, face a um Porto em reconstrução, em virtude da saída de vários titulares e pelo fecho tardio de um plantel que, apesar da tristeza do Krasnodar, dá garantias para batalhar por títulos.

Lage fortíssimo nas transições ofensivas, com Pizzi e Rafa ‘on fire’, contra um colectivo que tem no ADN uma posse vertiginosa com mira rápida na baliza contrária. Benfica calmo e capaz de enfeitiçar como o discurso do seu treinador vs. um Porto com vontade de ir para cima e chegar à área bem à imagem do que era Sérgio Conceição enquanto jogador. E também para quem gosta há bailado fora do campo. A manobra comunicacional encarnada contra a "caça ao Rafa" marca o pontapé de saída nas hostilidades na tentativa de condicionamento de arbitragens nesta Liga. Os dragões reagiram lembrando alguns ‘milagres’ na Feira, Braga e Vila do Conde. Pondo este bailarico de lado, julgo que o que a todos interessa é um grande espectáculo, com golos, com verdade desportiva, é isso que importa.

Não é novidade que no futebol, e em seu redor, gravitam parasitas, abutres, mercenários, empresários. Palavras como ganância, cupidez, casam com imoralidade e gente sem alma. Portanto, a ópera-bufa de Bas Dost é um magnífico cartão de visita para um conto de terror. Porém, a obrigação de lidar com empresários não é de ontem, todos os clubes no Mundo lidam diariamente com eles, portanto, esta tragicomédia demonstra também, para lá da catástrofe comunicacional, desnorte e imaturidade de uma administração da SAD e de um director desportivo num segundo capítulo que se segue ao fracasso da venda de Bruno Fernandes para Inglaterra. Aliás, Cristiano Ronaldo na TVI foi letal ao sentenciar que "ninguém percebe porque ele não sai".

Deixo algumas questões- Se Bas Dost queria sair em Maio, nada disseram ao treinador que teve de saber pelos jornais? Como estão assim os vasos comunicantes entre estrutura e técnico? E se assim era só agora é que procuram um ponta-de-lança? E quanto custará? E marcará 93 golos em três épocas? O holandês era caro? Claro. Mas quanto vale um golo? Vale mais um avançado feliz numa cidade de que gosta, com um treinador que o aproveita (como Jorge Jesus) e modela uma equipa para o fazer facturar ou um técnico baratinho, obscuro, sem currículo, que, teimoso, despreza um ‘striker’ que vale 30 tiros certeiros/época? E lembram-se de Mathieu? Era caro, mas conversaram e por ele estar satisfeito no clube pediram para baixar o salário e ele aceitou. Sentaram-se e pediram a Bas Dost a mesma coisa? 

Para lá das entropias evidentes entre estrutura e Keizer, criou-se com este caso que não prestigia o Sporting uma outra entropia com o plantel que está ao lado seu colega de profissão. Alertei um dia na SIC Notícias que o futebol é muito mais violento que o Afeganistão. Não é coisa de meninos nem soldadinhos de chumbo, é coisa para homens, de preferência frios, com sangue de cobra. Varandas tem até dia 2 de Setembro para provar se o tem, a percepção que passa neste momento não convence nenhum sportinguista. Comunicar pessimamente também não o ajuda nada.»
(Rui Calafate, Factor Racional, in Record)


Pego na questão que me pareceu ser, entre todas as que abordou, a mais relevante deste excelente artigo de Rui Clafate, pela simples razão de constituir para mim, o maior motivo de preocupação da actualidade do Sporting: as manifestas e evidentes desordem, imprevisibilidade e decorrentes consequências, que de há muito suspeito e que aos sportinguistas mais atentos decerto não terão passado despercebidas, entre a estrutura do futebol leonino e o técnico principal Marcel Keizer. Para além de todas as críticas que possam ser tecidas ao trabalho desenvolvido por esta equipa técnica no futebol do Sporting, nomeadamente uma tão desastrada pré-temporada, bastaria apenas e tão só, este nefasto clima que Rui Calafate desassombradamente denuncia, para que de há muito tivesse sido questionada a sustentabilidade da situação e encontrada uma solução compatível com a grandeza e os objectivos de sempre do Sporting Clube de Portugal!...


Nesta condição apenas e sem sequer invocar outras de peso e importância semelhantes, as responsabilidade de Varandas serão, naturalmente, acrescidas! Uma paz podre no seio de qualquer organização, sempre será... 

O melhor atalho para o fracasso!...

Leoninamente,
Até à próxima

PS: Vermelhuscos, viúvas e orfãos escusam de se dar a tanto e insano trabalho, porque o destino dos vossos comentários será, óbvia e invariavelmente, o caixote do lixo.

3 comentários:

  1. Infelizmente têm toda a razão, o caro Álamo e Rui Calafate! Como associado desde 1974, estou (cada vez mais) preocupado!

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  2. Mas afinal em que ficamos caro Álamo?? Concorda com a tese de Rui Calafate que defende o jogador e responsabiliza a estrutura (digo isto sem me rir só porque infelizmente se trata do meu Clube) , ou defende a estrutura como vítima de uma manigância do binômio jogador/empresário?? Eu, ao contrário doe si, não confio nesta maralha que presentemente nos (des)governa!!!

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    1. Concordo em parte com Rui Calafate, em alguns pontos que defende, enquanto noutros não se me afigura a visão mais correcta sobre a actualidade do Sporting! Como em tudo na vida, "cada cabeça, sua sentença"! Já não concordarei com Rinauldo, muito menos com a designação de "maralha" com que apelida aqueles que os sportinguistas escolheram para governar o Sporting e muito menos que nos estejam a "desgovernar"! Apenas estarão a fazer o melhor que sabem e podem! Criticá-los-ei onde achar que a sua actuação não estará a ser a melhor, mas nunca deixarei de lhes estar grato face à espinhosa missão que, com coragem, tentam levar a bom termo, sempre em defesa do Sporting!...

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