domingo, 14 de outubro de 2012

O Salto Mortal de Godinho Lopes


 
Nunca como no momento que passa, Godinho Lopes terá concentrado em si próprio a exclusividade do futuro próximo do Sporting Clube de Portugal. A mensagem que transmite para o exterior e que eu apostaria, desta vez não terá partilhado em absoluto com quem quer que seja, sugere que já estarão perfeitamente alinhadas na sua cabeça uma boa porção de decisões, cujo impacto, porventura, nem os seus colaboradores mais próximos conhecerão.
Atrevo-me a suspeitar que o Presidente do Sporting Clube de Portugal terá decidido a execução do exercício mais difícil, arriscado e, quem sabe se derradeiro, do seu mandato: um duplo salto mortal! E faltar-me-à também adivinhar se terá a intenção de o fazer para a frente ou à rectaguarda. Creio que tal dependerá da coragem e experiência que o tempo que já leva na presidência lhe tiverem trazido. Seja como for, quer-me parecer que qualquer dos dois será um exercício de elevado grau de dificuldade e que naturalmente comportará riscos elevadíssimos.
À rectaguarda, será porventura o que mais comodidade pessoal lhe trará. Contratará um treinador estrangeiro - que até poderá ser ou não ser Scolari - e manterá toda a estrutura do futebol. A seguir, partirá em peregrinação até ao santuário de uma qualquer Senhora - Fátima, Lourdes, Caravaggio ou, mais perto, Riachos e a sua Santa da Ladeira -, onde rezará fervorosamente pelo seu próprio futuro, já que no futuro do Sporting, dificilmente alguma santa o poderá ajudar.
Se a decisão que eventualmente já tiver tomado, for o duplo mortal para a frente, independentemente de fazer ou não "parafuso", tanto poderá ter êxito, como acabar estatelado no chão, todo "desaparafusado". Em qualquer destes dois cenários, poderá ter à sua espera um bilhete de "low cost" para os chinelos e sofá da lareira. Mas explorando apenas as potenciais virtualidades do exercício, haverá que imaginar o seu desenho, venha ele a ser no futuro, mortal ou redentor.
É minha forte convicção que um exercício desta natureza por parte de Godinho Lopes, poderá vir a determinar inevitavelmente o fim da actual estrutura de todo o futebol profissional e do modelo que lhe tem estado subjacente, sendo natural o desaparecimento de todos os elementos remunerados da administração da SAD, a sua substituição por administradores delegados não remunerados e a eventual e natural ascensão de uma nova figura - manager -, à imagem de Sir Alex Ferguson no Manchester United, muito comum no futebol inglês, que passaria a acumular toda a responsabilidade das funções extintas, com a de técnico responsável pela equipa principal, suportado por um qualificadíssimo treinador de campo da sua inteira confiança.
Não encontro no futebol português uma única figura com a qualificação necessária para o desempenho de uma função desta natureza. E no exterior, se atendermos ao importante facto de que para além da competência técnica que possua, será fundamental um conhecimento profundo da realidade do futebol português, muito particularmente do Sporting,  tornar-se-á muito difícil encontrar outro candidato para além de um senhor chamado Lazlo Bolöni. E não assento esta minha convicção na entrevista aqui comentada, que hoje o jornal "O Jogo" publicou. Ela já tem mais de 10 anos e vive comigo, de braço dado com a profunda decepção que me causou o seu inusitado despedimento.
A entrevista que Godinho Lopes concedeu ao Expresso e as suas declarações de hoje em Vendas Novas, na festa de aniversário do núcleo local, se somadas às múltiplas especulações que ultimamente tem varrido a CS sobre eventuais alterações da estrutura do futebol leonino e que algum fogo esconderão no meio de tanto fumo, parecem confirmar de algum modo as minhas suspeitas.
Por mim apenas desejaria que Godinho Lopes, faça o que entender fazer, em tempo útil.  Em cada dia que passa os danos vão-se acumulando sobre um plantel que necessita urgentemente de conhecer o seu rumo e os seus objectivos. Amanhã a situação poderá tornar-se irreversível.

Leoninamente,
Até à próxima

 

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Pois, até pode ser. Resta saber o que andará Godinho Lopes a reflectir! Aí é que bate o ponto...

      SL

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  2. Muito bom texto, excelente.

    Concordo com esta reflexão! Só não tenho é tanta certeza de que a opção de Godinho Lopes seria a de termos um Manager à semelhança do Man United, mas sim à semelhança de outros clubes ingleses, como Chealsea, Man City, Tottenham, etc.. em que existe um responsável máximo do futebol e equipa principal. Acredito mais nesta 2º opção, visto que, como foi dito, não existem muitas opção para "fazer" o que Alex F. faz no Man Unt.

    Resumindo, também acho que está para breve novidades dentro de pouco tempo e urgem tomadas de decisão firmes e convictas.

    abraço e parabéns por mais um excelente post.

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    Respostas
    1. Acredito que haja diferenças de pormenor entre o MU e os outros exemplos dados, que confesso não conhecer em profundidade. A minha reflexão teve por base o tal "responsável máximo do futebol e equipa principal", em quem o Conselho Directivo delegaria total responsabilidade de gestão, exigindo em contrapartida, o rigoroso cumprimento de um orçamento anual pré-definido, com défice zero, que apenas pudesse ser rectificado por aquele CD e nos termos em que o mesmo o viesse a entender, no caso da criação de um palpável "superavit", resultante da venda de activos, cuja exequibilidade tivesse de contar sempre com o aval superior.
      Deste modelo resultariam, do meu ponto de vista, a entrega de todo o futebol do clube a um único profissional de créditos firmados - terminando em definitivo as fugas de informação para o exterior! - e a libertação do Presidente para uma acção mais condizente com o ecletismo do clube - não teria obviamente que ser um "expert" na matéria futebolística como é o caso do actual.
      Tenho a convicção de que tal modelo permitiria reduzir quase a metade o formidável e pesado aparelho que neste momemento "vive à conta em Alcochete", com o primado da competência sobre o parasitismo que por lá campeia, o aproveitamento de todas as evidentes sinergias que seriam criadas e uma "colossal" redução dos custos, que têm estado na origem dos sistemáticos prejuízos acumulados pela SAD.
      Claro que um modelo desta natureza exigiria da parte do Presidente, a proibição expressa aos seus pares no CD ou outros orgãos dirigente do clube, de se manifestarem publicamente sobre a matéria futebol. Isso seriam atribuições exclusivas do Manager e do Presidente, quando assim o entendesse.
      Chamem a este modelo de "inglês", "à Pinto da Costa" ou de "ditadura", é coisa que pouco me importará e porventura a todos os adeptos sportinguistas. Uma coisa eu sei, no "autocarro" em que temos vivido desde que João Rocha deixou o Sporting, repleto de vendedores de bilhetes, revisores, guias turísticos, condutores, palhaços, trapezistas e papagaios, que obrigam os actores a viajarem de pé, nunca iremos a lado nenhum. Ou damos um "duplo salto mortal para a frente" ou deixaremos a curto prazo de ser mesmo "um grande"!...

      Saudações Leoninas

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  3. Muito bem explanado o teu sentir que é o de muitos amantes do nosso querido clube. A questão está em saber quem é que dentro do nosso clube neste momento tem mais poder para fazer algo de realmente significativo.

    Godinho Lopes se, com este golpe conseguir eliminar mais um dueto que lhe faz frente, dos muitos sapos que teve que engolir para ganhar as eleições, então será mais inteligente do que o julgávamos e dominará o clube de forma mais personalizada com inevitável colheita de frutos se a jogada eminente for bem sucedida.

    Para bem do nosso clube desejo-lhe toda a sorte do mundo.

    Abraços esperançosos e muito expectantes

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  4. Maninha Leoa,

    Pode o meu pensamento fazer algum sentido e poder até ser exequível e vir a revelar-se como um efectivo salto em frente no nosso clube ou mesmo no futebol português. Mas vive em mim um cepticismo bem maior que a tua esperança. Temo que Godinho Lopes esteja demasiado amarrado a compromissos para conseguir realizar um salto tão arriscado e para mais sem rede. Já não sei se o saco que o elegeu estará repleto de "gatos" ou "víboras". Temo que lhe falte a coragem e acabe por sossobrar, sem honra nem glória, para mal do Sporting e desgosto de todos nós, adeptos sportinguistas! Mas, confessar-te-ei também, que desejo do fundo da minha alma sportinguista, que ele seja capaz do golpe de rins que, aos 60 anos, já poucos o hão-de julgar capaz. Teremos de aguardar, embora em cada dia que passa todos tenhamos a consciência do tempo perdido...

    Abraços só expectantes

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