Aqui para nós, que ninguém nos ouve, eu poderia ter afirmado com toda a propriedade, se estivesse no lugar de Bruno de Carvalho, que, mercê de um plano estratégico há muito delineado, definido e implementado, não estaria muito preocupado com a eventual saída de William Carvalho, no final da presente temporada. Ninguém no mundo alguma vez será insubstituível e cada pessoa ou instituição apenas controla aquilo que puder controlar, naquilo que apenas dependa da sua vontade e das suas extensas ou limitadas capacidades.
Porém jamais cometeria o erro ou ousaria usar a mais pueril e popularucha demagogia, para afirmar ter a certeza absoluta, a mais analítica, sintética e absoluta das certezas, de que William de Carvalho ficará no Sporting no final da temporada. NÃO HAVIA NECESSIDADE!...
E lá volto eu ao meu ultimamente e infelizmente tão repetitivo fadário! Eu, apoiante quase indefectível de Bruno de Carvalho nas duas eleições a que se propôs, que tenho aplaudido de pé a "sua revolução" e venho sentindo com emoção e alegria os êxitos e conquistas a que a mesma vem conduzindo o glorioso SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, vejo-me obrigado, com pena, mágoa e receio do futuro, a uma posição tão críticamente negativa que me constrange e desanima, quanto ao seu SENTIDO DE ESTADO, que em cada dia se vem confirmando, para meu desgosto, como desbragado e incorrigível.
Já por aqui deixei subentendido que, a meu ver, o grau de selectividade do escrutínio a que o discurso de Bruno de Carvalho passou a estar submetido, tanto interna quanto externamente, depois do impacto inicial que terá sido balizado pelo seu primeiro ano de mandato, será significativamente exponenciado à medida que o tempo se for acumulando. Mas ele parece não se aperceber de que o grau de exigência que a si próprio deverá impôr hoje, deverá ser reforçado amanhã e mais ainda, depois de amanhã. E continua, quiçá numa demonstração de inteligência incompativel com as grandes decisões que todos temos aplaudido, a percorrer os caminhos do facilitismo demagógico de um discurso em que porventura a grande maioria da nação sportinguista dificilmente se poderá rever.
A adopção imperiosa e inadiável de um apropriado sentido de estado, compatível com a grandeza histórica da instituição que lidera e uma gestão inteligente e pragmática do silêncio que as responsabilidades lhe impõem serão, actualmente, os maiores desafios que se lhe colocarão. Porventura superiores a outros que panfletariamente grita aos quatro ventos!...
Verba volant, scripta manent.
As palavras voam, os escritos permanecem.
Caius Titus, senador romano
Leoninamente
Até à próxima