segunda-feira, 24 de junho de 2019

A minha justa homenagem a Bruno Prata e a Bas Dost!...


Mal-agradecidos com Bas Dost

«Já se sabe que o futebol nem sempre é bem-agradecido com aqueles que preservam os seus mais importantes e decorosos preceitos. E é um pouco dessa sensação que se experimenta quando se lêem ou se ouvem, todos os dias, notícias a dar conta da vontade do Sporting em alienar Bas Dost, até por não diminuírem de intensidade e constância mesmo quando surge um ou outro informe plumitivo a dar conta da vontade que o holandês tem em manter-se em Alvalade ou quando o próprio Marcel Keizer deixa claro que gostaria de poder continuar a treinar o melhor goleador que o Sporting teve nos seus quadros desde Jardel (e, vá lá, Liedson, na segunda época). 

Não é uma situação incomum no mundo da bola e, para sermos totalmente justos, não se pode sequer retirar daquela conjugação desproporcional de notícias a certeza de que a SAD leonina esteja a ser acintosamente ingrata para com Bas Dost. É até possível que Frederico Varandas e os seus pares mais directos estejam perfeitamente sintonizados com o avançado no processamento da situação. Mas não é essa a sensação com que ficam todos os que não têm informação privilegiada e baseiam o seu julgamento tão-só no que os órgãos de comunicação difundem. Ora, e parafraseando Sá Carneiro, no futebol, o que parece é!

Esta questão leva-nos, mais uma vez, para a discussão em torno da relevância que a comunicação tem hoje na gestão de um clube. Saber passar as mensagens, no momento, no tom e nos locais certos, é cada vez mais pertinente. E se esta administração do Sporting tem de ser elogiada por não ter alinhado no terrorismo comunicacional que tristemente se descobre nos seus principais rivais, também é notório que, aqui e ali, dá sinais de uma bonomia excessiva. E, nesta como noutras indústrias, uma gestão com demasiadas paredes de vidro deixa de ser apenas um sinal de sadia transparência, para se transformar num abuso de ingenuidade. E é isso que parece reluzir quando se faz chegar ao mercado a informação de que Bas Dost ganha hoje mais do que o Sporting consegue pagar e que o clube está é mortinho por o desembargar. Desde logo, porque desvaloriza e descoroçoa o jogador e não serve sequer o propósito de o transferir pelo justo valor (que o Sporting, lê-se, fixou em 20 milhões de euros).

Bas Dost, que tem 30 anos e foi a contratação mais cara de sempre do Sporting (12 milhões de euros), marcou 93 golos nos 125 jogos que realizou desde que chegou ao clube no Verão de 2016. É verdade que baixou um pouco a média na última época, mas para isso contribuiu o facto de ter começado a jogar sem ter feito a pré-época, bem como as decorrentes lesões que o afectaram. Mesmo assim apontou 23 tentos em 35 encontros, um dos quais muitíssimo decisivo na conquista da Taça de Portugal. Mas o holandês não se foi tornando importante apenas pelos golos. O seu comportamento asseado e honesto enriqueceu e ajudou a purificar o ambiente no balneário, universo em que não se pode plantar ervas daninhas e depois ficar à espera de colher margaridas. E o "bom gigante" (José Torres que me perdoe) acaba também por funcionar como a alegoria principal não só de uma fortaleza violada pelo cobarde assalto a Alcochete, mas também do brio e pundonor leonino, ou não tivessem corrido mundo as marcas na sua testa e o penso gigante com que entrou no Jamor na final de há um ano.

Como parecem frouxas as teorias segundo as quais as características de Bas Dost não se adequam ao modelo de Keizer, provavelmente a transferência de Bas Dost não estaria a ser antecipada se Sousa Cintra não lhe tivesse duplicado o ordenado – o que deve ser entendido à luz de uma conjuntura especial e de um dirigente que já não é deste tempo. Os perto de seis milhões brutos por cada uma das duas épocas do contrato em vigor são, de facto, um fardo pesado, principalmente para uma SAD que quer prosseguir a redução à massa salarial iniciada em Janeiro (então com as saídas de Nani, Montero e Castaignos) e que se abespinha por descobrir se as noticiadas propostas por Acuña e, principalmente, Bruno Fernandes se vão mesmo confirmar.

A verdade é que os últimos anos da gestão de Bruno de Carvalho oneraram em demasia e sem sustentação um orçamento que tocou nos 90 milhões de euros. E Varandas mostra clarividência e responsabilidade ao querer reduzi-lo em 20% (pretende baixar dez milhões só na vertente com o pessoal, segundo se apurou) e adequá-lo minimamente às receitas. A operação de titularização de créditos do contrato com a NOS e a emissão obrigacionista foram acções meritórias, mas também de emergência numa SAD que teve 5,9 milhões de resultados negativos nos últimos meses de 2018/19 e que tem capitais negativos de 21,4 milhões. Mas como é no poupar de pequeninos grãos que também se fazem grandes montes, não seria preferível ao Sporting libertar-se definitivamente de todas as "gorduras" e tentar manter um dos jogadores mais fiáveis que teve nos últimos anos? Até porque, como tantas vezes se ouve no futebol, os jogadores caros são os que não jogam nem rendem...»
(Bruno Prata, Ludopédio, in Record)

Este bem construído e inteligente texto de Bruno Prata, constituirá porventura umas das mais extraordinária peças jornalísticas que, nestes tempos tão conturbados no que ao tóxico ambiente do futebol dirá respeito, me tem sido possível apreciar desde há considerável tempo!...

Nessa condição obviamente que me repugnariam, por soarem a presunção descabida que liminarmente rejeito, quaisquer considerações sobre o pensamento do jornalista que aqui deixo. Todo o texto, pela clareza da exposição e pelos nobres, insuspeitos e singulares objectivos que revela, na defesa de um dos maiores activos actuais do Sporting Clube de Portugal, apenas merecerá, a meu ver, a mais profunda reflexão dos sportinguistas, mormente daqueles que, de forma elegante e respeitosa, dentro do Sporting, são nele chamados à colação.

A minha justa homenagem a Bruno Prata e a Bas Dost!...

Leoninamente,
Até à próxima

3 comentários:

  1. Há muita gente a querer ver Bas Dost fora do Sporting. Os primeiros e mais fervorosos adeptos da ideia são desde logo os adversários do Sporting. Se o Sporting também está, é especulação, talvez até legítima, mas da boca de alguém do Sporting não se ouviu semelhante ideia. Curioso é que quando se diz que o FCP vai sofrer uma debandada de jogadores sendo que alguns saem livres e com prejuízo para o clube, os experts dizem que o FCP se vai reinventar e que isso não é problema. É apenas a genial gestão de PdC e a fabulosa sagacidade do seu treinador. Outra curiosidade é que os mesmos experts que criticam PdC e Sérgio Conceição por terem mostrado uma imagem enfraquecida do FCP quando interromperam um programa de TV para virem dizer que estão em sintonia um com o outro e que não há desavenças internas no FCP......reclamam do Sporting o mesmo tipo de manifestação de fraqueza exigindo ao presidente Frederico Varandas que venha a público afirmar que não quer nada vender Bas Dost...para dissipar dúvidas, claro.
    Alem de mal agradecidos a Bas Dost podemos concluir que os Sportinguistas também são mal agradecidos para com os jornalistas.
    No futebol, o que parece é.

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    1. Na generalidade aquilo que penso sobre a matéria é quase coincidente com o comentário. Haverá apenas uma ligeira discrepãncia: Frederico Varandas não deve nem precisa de "vir a público afirmar que não quer nada vender Bas Dost para dissipar dúvidas, claro". Mas poderia numa qualquer afirmação publica que até nem tivesse nada a ver com este 'alarido em torno de Bas Dost', tornar muito claro que o holandês é e continuará a ser uma activo intocável! E nada deixando no futebol de continuar a ser o que parece, o conforto de Bas Dost e dos adeptos sportinguistas que lhe reconhecem o devido e verdadeiro valor, passaria a ser outro!...

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    2. Percebo e concordo. Mas como pode FV vir dizer que Bas Dost é um activo intocável? No futebol, isso é figura que não existe. Todos os jogadores são transacionáveis e enquanto não o são são activos não intocáveis, mas intocados. Falta comunicação em discurso directo, ao Sporting. Mas este período não é o melhor para fazer figura de urso para deleite dos pasquins e canais panfletários e anti Sporting que dominam de maneira quase total a comunicação social. É ler o jornal “aBola” de hoje e os artigos de opinião que lá vêm....
      Para servir de pasto a essa gente, mais vale manter a reserva.
      Marcel Keizer já disse inúmeras vezes que gostava de não perder os melhores jogadores e referiu bem recentemente o que achava de Bas Dost. E temos de supor que o diz em sintonia com a direção. Bas Dost é o melhor artilheiro do campeonato português. Que clube não quereria preservar o melhor goleador do campeonato onde participa?
      Para mim a coisa põe-se de maneira simples, é Bas Dost forever! Mas a vontade só, pode não chegar. Aguardemos serenamente, pois.

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