quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

"A Justiça é como uma serpente, só morde os pés descalços"!...


Paulo Gonçalves, um solitário muito curioso

«Paulo Gonçalves foi acusado de corrupção, violação do segredo de justiça, violação do segredo de sigilo e acesso indevido. Mas ao que parece, fez tudo para seu desfrute. É um homem curioso por natureza. Só alguém muito mal-intencionado é que poderia acreditar que o assessor jurídico do Benfica trabalhava para o Benfica, quando queria saber coisas sobre os processos que envolviam o Benfica. Apesar de ser público e notório que Paulo Gonçalves era o braço direito e o braço esquerdo de Luís Filipe Vieira, a juíza descobriu que ele não é formalmente da direcção da SAD. E um clube só comete um crime se "amavelmente" colocar a pessoa que usa para o cometer, na sua direcção. Todos sabemos que Paulo Gonçalves participava nas reuniões da direcção do Benfica, que era uma das pessoas funcionalmente mais próximas do seu presidente. Se não está no papel, o que querem que faça a dra. juíza?

Não sou jurista e não me aventuro a avaliar juridicamente esta decisão. Até é possível que o Ministério Público tenha feito asneira ao tentar acusar a SAD em vez de um dos seus administradores. Mas não consigo deixar de ver como muda o olhar da justiça conforme quem está na berlinda. Um juiz não é um mero burocrata da prova documental. A sua convicção, respaldada pela lei e pelas provas, tem valor nas decisões que toma e tem levado a várias condenações. É impossível não comparar esta decisão com a de outros processos que envolvem políticos. Decisões que não se basearam apenas nas relações formais entre os envolvidos, mas na evidência provada dessas relações, Nuns casos os juízes dão maior latitude à sua convicção, noutros são mais estritos. É fácil perceber porque se foi mais cauteloso neste caso. Nos dias que correm, os políticos são impopulares. Não é difícil fazer-lhes frente. Bem mais difícil é resistir à mobilização que o clubismo consegue fazer, em alguns casos até à cegueira. Ainda mais se for o maior clube português. Quem julgou que a nossa Justiça tinha ficado subitamente mais corajosa, enganou-se redondamente. Ela só ficou mais populista. A Justiça só se faz se for popular contra quem é impopular!...»
(Daniel Oliveira, Opinião, in TSF)


Talvez constitua em cada dia que passa uma maior e verdadeira afronta para todo o povo português, continuar a ser obrigado e confrontado com imagens mais ou menos estilizadas da deusa Themis nas frontarias de todos os tribunais portugueses! Tratar-se-à, muito provavelmente, do maior insulto à inteligência dos portugueses, continuarem a ser colocados perante tamanho embuste, quando nada do que essa deusa mitológica simboliza acontece na generalidade das instituições onde aparece como emblema da Verdade, Justiça, Coragem, Equidade...

É imperioso que Themis seja urgentemente substituída por um qualquer esboço de nora antiga, movida pela força asinina da nossa pirâmide judicial, que se atropela a tentar fazer desfilar, em vez dos "clássicos alcatatruzes", que buscavam no fundo escuro a redenção da água purificadora e a traziam resplandecente de vida e alegria à luz do dia, as tristes figuras dos  "novos magistruzes" que, quais morcegos e vampiros, pretenderão convencer o povo a que pertencem, de quão efémera será a luz diurna da Verdade e da Justiça, perante a eternidade da escuridão a que nos querem condenar, pela demora e pelo embuste, no fundo do escuro do poço!... 

Em cada dia da nossa vida colectiva serão menos os verdadeiros magistrados e cada vez mais os "magistruzes", que parecem tardar em constatatar que o povo, há muito se sente farto e enganado por ver a mentira sob a capa pesporrente e presunçosa dos seus discursos redondos e estúpidos, que nem aos próprios já conseguirão convencer!...

Razão teria Eduardo Galeano, quando afirmou, ainda bem longe de conhecer a realidade actual da Justiça em Portugal...

"A Justiça é como uma serpente, só morde os pés descalços"!...

Leoninamente,
Até á próxima

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