domingo, 26 de abril de 2020

Só eu sei porque fico em casa (44)!!!...


CORONAVIRUS EM PORTUGAL:    903 MORTOS   #    23864 INFECTADOS  

#  1329 RECUPERADOS   #   236410 SUSPEITOS  #   472 NOVOS CASOS


De acordo com o último boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde, o número de vítimas mortais de covid-19 voltou a subir em Portugal este domingo, tendo sido registadas mais 23 óbitos, o equivalente a uma taxa de crescimento de 2,6%, num total de 903 mortes desde o início do surto.

Também o número de infectados subiu nas últimas 24 horas com 472 novos casos positivos, o que corresponde a um aumento de 2% face aos números de sábado. Assim, desde o início do surto já se identificaram 23.864 de ​​casos positivos. O número de doentes recuperados também aumentou: são agora 1329, mais 57 do que no sábado.

Só eu sei porque fico em casa (44)!!!...

Leoninamente,
Até à próxima

O significado da palavra Liberdade!...

Foto da capa do jornal DN em 25 de Abril de 2020

"Graças aos cravos portugueses, tudo voltou a parecer possível para as esquerdas no mundo"
Autor de Histoire du Portugal Contemporain, o historiador francês Yves Léonard fala sobre a herança do 25 de Abril, a humildade de Salgueiro Maia, o romantizar da Revolução Francesa e as semelhanças que vê entre a revolução portuguesa e a revolução de 1848.

- Conhece bem a Revolução dos Cravos, a foto de capa do seu livro Histoire du Portugal Contemporain é Salgueiro Maia em cima de um blindado. O que o impressionou no 25 de Abril de 1974?

- «A unidade de tempo, local e acção sob a cor dos cravos: em menos de um dia, em Lisboa, uma ditadura com perto de meio século é derrubada sem um fim trágico nem violência maior, graças à acção determinada e corajosa de uma mão-cheia de jovens oficiais e soldados. Um caso raro, senão único, na história mundial, de derrube pacífico de uma ditadura pelos militares. Nada estava escrito por antecedência e tudo podia ter corrido de forma diferente sem a coragem e a capacidade de improviso destes jovens oficiais, entre os quais o capitão Salgueiro Maia. Pelo seu impacto político e pela força simbólica, o 25 de Abril impõe-se como a data-chave do século XX português, daí a escolha para a capa do livro de Salgueiro Maia em cima de um blindado, com um altifalante, como a mostrar a importância da mensagem dos capitães de Abril entregue a Portugal e ao mundo naquele dia.»

Ainda hoje haverá portugueses, particularmente os que não chegaram a provar o amargo do fel da ditadura, que jamais compreenderão...

O significado da palavra Liberdade!...

Leoninamente,
Até à próxima

Afinal, eu não sou o único!...


Sempre
O Presidente da República fez o seu melhor discurso de sempre. Encontrou as palavras exactas para dizer porque estava ali, porque tinha de estar, porque era indispensável que estivesse ali

«1. Por vezes, raras, as emoções afectam o distanciamento e a racionalidade indispensáveis a quem exerce a minha profissão. Hoje, enquanto escrevia esta crónica, ainda era esse o meu estado de espírito. Acabara de assistir pela televisão à celebração do 46.º aniversário do 25 de Abril na Assembleia da República. Uma vida. Já não me lembro de ter sentido tanta felicidade perante uma cerimónia a que assistimos todos os anos. Talvez a tivesse sentido nos primeiros anos ainda mais do que hoje. Mas hoje senti-a com orgulho e com um enorme sentimento de alívio. O que teria sido se tivesse de passar este dia sem poder celebrar a data que nos restituiu a todos a liberdade — os que a viveram, como eu, e os que apenas a conhecem nas imagens, nos relatos e na experiência transmitida —, sem a possibilidade de assistir a uma cerimónia que não perdeu um milímetro da sua dignidade e da sua beleza essencial e que nos encheu o coração?

Os representantes que elegemos cumpriram o seu dever. O Presidente da República fez o seu melhor discurso de sempre. Encontrou as palavras exactas para dizer porque estava ali, porque tinha de estar, porque era indispensável que estivesse ali. Porque não hesitou um segundo a decidir que hoje era ali o único lugar onde deveria estar. Cumpriu a missão que tão bem tem desempenhado nesta tremenda crise: fazer pedagogia. Mas fê-lo de forma iluminada e brilhante. Para quem o ouviu, não terão ficado grandes dúvidas sobre as razões pelas quais o Parlamento devia abrir as suas portas para celebrar o 25 de Abril. Depois de uma polémica em torno das celebrações tão exaustiva e, por vezes, tão negativa, foi um bálsamo.

2. Ouvi, como faço sempre, os discursos que detesto e aqueles com que mais facilmente me identifico. Já escutei discursos notáveis de representantes de partidos nos quais nunca votarei. Já ouvi discursos medíocres de outros em cujo partido votaria mais facilmente. Numa democracia liberal como é a nossa, ninguém é proprietário do 25 de Abril. Ouvi insistentemente este argumento por parte dos que criticaram a realização da cerimónia. Sempre me irritou a forma como alguns capitães de Abril se sentiam no direito de nos vir dizer, todos os anos, que tinham feito o 25 de Abril, para isto e não para aquilo. Ou os dirigentes do PCP invocarem a autoridade adquirida na resistência para nos dizer qual era o único 25 de Abril possível. Nunca houve um 25 de Abril possível. Houve naquela madrugada, que os versos de Sofia imortalizaram, a restituição da liberdade aos portugueses que viviam sem ela há 48 anos, para fazerem dela o que quisessem.

O golpe militar poderia ter falhado, abrindo certamente as portas a uma repressão sangrenta. Não falhou. O 25 de Novembro podia ter sido resolvido ao contrário, dando o poder às forças políticas que queriam substituir uma ditadura por outra, ainda que de sinal contrário. Podíamos não ter tido Salgueiro Maia ou Mário Soares — o nosso grande ausente, porque foi o líder político que melhor e mais genuinamente encarnou essa ideia essencial da liberdade. Vivemos hoje numa democracia liberal madura e resistente aos ventos contrários que sopram em toda a parte contra o Estado de direito e a liberdade de cada um de nós. Estamos integrados numa Europa cujas democracias conseguem estar entre as mais prósperas e socialmente mais justas do mundo. Conseguimos responder a esta crise inesperada que virou o nosso mundo quotidiano ao contrário como o país livre e desenvolvido que somos.

Antes da crise, tínhamos o “pior SNS do mundo”. Hoje, temos o “melhor SNS do mundo”. Como é possível? Porque, antes da crise, já era um dos melhores do mundo, ocupando um lugar honroso na hierarquia dos serviços nacionais de saúde da União Europeia e da OCDE. Vimos outros, classificados nos primeiros lugares do pódio mundial, com maiores dificuldades para enfrentar a pandemia. Se não fosse assim, celebraríamos da mesma maneira a liberdade — porque ela está na origem de todas as outras coisas —, mas assim ainda é melhor.

3. Não há donos do 25 de Abril. Mas há diferenças, que podem ser profundas, na maneira como o sentimos e como o vivemos. É natural. Faz parte da experiência de cada um de nós, da vida que vivemos, da idade que temos. Nem sempre foi fácil explicar aos meus filhos, quando ainda eram pequenos, como era a vida em Portugal durante a ditadura. Ainda me lembro de me perguntarem, entre o espanto e a incredulidade, porque é que a polícia andava atrás de mim.

Foi quando os levei pela primeira vez ao ponto exacto da fronteira que atravessei a salto e à pequena vila espanhola onde esperei, no sítio combinado, o casal corajoso e solidário que me levara à fronteira e me iria deixar em Salamanca. Mostrei-lhes a bússola e o mapa que um grande amigo meu me entregou para que não me perdesse nos campos entre a fronteira e a aldeia. Como ele dizia a rir, para “não vir parar ao Rossio”. De acordo com um estudo demográfico recente, pela primeira vez são mais os portugueses que já viveram toda a vida em democracia do que os que ainda nasceram e viveram em ditadura. É por isso que a memória é tão importante. É por isso que as celebrações não podem nunca, por nenhuma razão, ser interrompidas.

Estava em Paris nesse dia magnífico, a viver um exílio que não tinha nada de dramático ou de particularmente penoso, a não ser numa coisa — a única que verdadeiramente o tornava insuportável. Não saber quando poderia regressar ao meu país, à minha família, à minha cidade, aos meus amigos, ao mar. De resto, percorrer as belas avenidas de Paris, mesmo sem dinheiro nos bolsos, era a mais fantástica das sensações. Uma esplanada e um grand-crème, jambon-beurre eram, naquele tempo, a absoluta plenitude. É preciso compreender, para além dos nossos princípios democráticos ou das nossas ideias abstractas, o que é o 25 de Abril para quem vivia “confinado” na apagada e vil tristeza da ditadura.

4. Na última Spectator, o título de um dos artigos (que nem sequer era particularmente interessante) despertou-me imediatamente a atenção. Rezava assim: “Churchill teria usado máscara?” Por causa do seu eterno charuto? Porque a sua personalidade era incompatível com a obediência a uma protecção recomendada à maioria dos outros mortais? Alguém imaginaria os deputados, os convidados, o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República ou o primeiro-ministro de máscara na sessão de hoje? E, no entanto, nenhum deles perdeu o direito a pedir às pessoas que as usem nos supermercados ou nos transportes públicos. Os trabalhadores dos supermercados vão todos os dias trabalhar porque o serviço que prestam é essencial. Fechar o Parlamento seria considerar que não cumpre também uma função essencial. Como tem cumprido desde o confinamento. Para aprovar leis urgentes, fiscalizar o Governo, legitimar a decisão presidencial de decretar o estado de emergência. Em público e de portas abertas.

Esta súbita doença do “igualitarismo” que assaltou as mentes mais preclaras e liberais, argumentando com a igualdade, não de circunstância, mas como “estado natural”, ultrapassa a minha capacidade de compreensão. Mas, como já disse, esta é uma crónica feita também de emoções. Contrariando a regra geral.»

Abençoadas emoções que Teresa de Sousa ontem nos ofereceu, para remate de uma das comemorações do 25 de Abril que, também a mim, mais me terá sensibilizado.

Hei-de ler, reler e voltar a ler muitas vezes o último parágrafo deste seu assombroso texto...

Afinal, eu não sou o único!...

Leoninamente,
Até à próxima

A gente vai continuar!...


#Estamos juntos

«Há expressões que querem dizer muito e que por vezes são utilizadas de forma demasiado fácil. Não é o caso na capa que envolve hoje o Record que tem na mão. O seu jornal de sempre e as marcas que apoiaram esta iniciativa estão mesmo juntas. Juntas numa luta que travam muitas empresas neste País. Uma luta contra uma pandemia que veio abalar a forma como vivemos.

Os alicerces de uma economia que tem sofrido um ataque duríssimo. E que exige o combate. Tal como acontece com a saúde pública, que tantos já levou de perto de nós. A verdade é que estamos todos a aprender. E a lutar. Não nos podemos resignar. Mesmo que venhamos a perder, porque isso pode acontecer a qualquer um, vamos dar luta. Isso temos de prometer. Pelos nossos, os vossos, por todos os portugueses que hoje não sabem bem como será o amanhã.

Sabe bem o entusiasmo de quem trabalha connosco a encontrar soluções para um jornal desportivo que vive sem desporto. Dos jornalistas ao marketing, passando pela publicidade e os parceiros que disseram presente. Prometemos continuar a trabalhar para vos levar a informação independente que podemos fazer desde o 25 de Abril que ontem celebrámos. Nada podemos sozinhos e solidariedade não é uma palavra vã. #Estamosjuntos, caro leitor.»
(Bernardo Ribeiro, director jornal Record, Saída de Campo, hoje à 01:02)

Tempos difíceis para "um jornal desportivo que vive sem desporto"! Não custa reconhecer o que estará a ser, sem recorrer a expedientes sempre condenáveis e que bem vemos à nossa volta!...

A minha homenagem à vossa luta, Bernardo Ribeiro. Por isso por aqui continuo: o Record é o meu jornal!...

A gente vai continuar!...

Leoninamente,
Até à próxima

sábado, 25 de abril de 2020

Algo bem pior que este 'danado vírus!...


Infecções a menos podem ser um problema
Aquilo que mais me agrada na estratégia adoptada pelos suecos é precisamente aquilo que mais me assusta em Portugal – que tenhamos exagerado no distanciamento social nesta primeira fase, e que o preço do medo que se instalou nos obrigue a pagar no futuro, com juros, o sucesso que estamos a ter no presente.

«Quando se deixa o coronavírus à solta e se reage demasiado tarde, acontece o que já todos vimos acontecer em Espanha ou no norte de Itália – a contaminação dispara, os doentes acumulam-se nos cuidados intensivos e o sistema nacional de saúde entra em colapso. Mas quando um país inteiro se fecha em casa e as contaminações quase desaparecem, graças à eficácia das medidas de contenção, as consequências no curto prazo são bastante boas (aconteceu em Portugal), mas é perfeitamente possível que no médio prazo sejam bastante más: a imunidade de grupo atrasa-se, a esmagadora maioria da população continua sem contactar com o vírus e a probabilidade de chegarmos ao Inverno e sermos obrigados a voltar outra vez para casa é assustadoramente alta.

Infecções a mais são uma desgraça. Infecções a menos são um problema. E manter as infecções no nível certo é uma tarefa ciclópica, até pelo facto de as consequências das medidas que são agora tomadas só virem a ser conhecidas duas semanas mais tarde. Alterações mínimas, de meras décimas, no chamado R0 (o número médio de contágios causados por cada pessoa infectada) provocam alterações gigantescas, de dezenas de milhares de infecções, na população de um país. É um trabalho que não se deseja a ninguém.

Ainda assim, não há qualquer alternativa ao levantamento da quarentena. É preciso reabrir e ver como é que corre, assumindo corajosamente que vamos entrar numa dança perigosa com o vírus. É arriscado? Sim. Mas é também inevitável, sobretudo quando a taxa de letalidade da covid-19 permanece desconhecida. Já a taxa de letalidade da economia, não. Esqueçam os lay-offs e os cortes nos salários – estamos a falar de milhões e milhões de pessoas acabarem sem nada. Todos os dias vemos passar à frente dos olhos notícias de países com colapsos do PIB de duas casas decimais. O planeta é hoje um novelo de fios invisíveis. O encerramento das lojas de roupa na Europa irá em breve provocar fome na Ásia. Consta por aí que o capitalismo é horrível – a não ser quando ele deixa de funcionar, como se está a ver. Quantos anos iremos nós regredir após a pandemia da covid-19?


Nunca saberemos ao certo como dosear de forma perfeita a distensão e a contracção das medidas de confinamento, e não acho sequer que isso possa ser exigido às autoridades de saúde e a quem nos governa. Mas a pressão social não deve ir no sentido de continuarmos todos em posição fetal no sofá da sala, mas sim na busca da máxima abertura em função da capacidade hospitalar disponível. Há que reforçar essa capacidade e aproveitá-la bem. Níveis demasiados baixos de ocupação dos chamados “covidários” são excelentes na perspectiva de quem considera a saúde o bem supremo, mas, por mais insensível que isto possa parecer, não o são necessariamente na perspectiva do país. E não o são, com certeza, se tais níveis de ocupação forem apenas sinónimo de um contacto demasiado baixo com o vírus por parte da população activa.

Não há vacina, não se sabe quando haverá, e não podemos contar com ela para decidir o que fazer nos próximos meses. Mais tarde ou mais cedo, temos de supor que a maior parte de nós terá mesmo de contactar com o vírus. Aquilo que mais me agrada na estratégia dos suecos é precisamente aquilo que mais me assusta em Portugal – que tenhamos exagerado no distanciamento social nesta primeira fase, e que o preço do medo que se instalou nos obrigue a pagar no futuro, com juros, o sucesso que estamos a ter no presente.»
(João Miguel Tavares, Opinião Coronavírus, in Público, hoje às 00:50)


Acabada a leitura desta nova crónica de João Miguel Tavares, tendencialmente polémica como costuma ser seu timbre, dei-me ao trabalho de construir um quadro comparativo, entre os países cujos resultados alcançados na luta contra a covid-19 entendi como mais significativos, puxando naturalmente 'a brasa para a minha sardinha europeia'. Deixo-o aqui:



Face a todos estes números, torna-se-me demasiado difícil alinhar com JMT no 'fetiche'  em que a estratégia sueca parece envolvê-lo: a ciência ainda se debate com inúmeras reservas sobre a pretensa 'imunidade de grupo' que terá estado nas cogitações dos políticos suecos, os números de infectados e mortos apontam claramente em sentido contrário e sobre a economia do país a oposição sueca, ao que se vai sabendo, terá uma posição diametralmente oposta, defendendo que afinal e ao que parece, como costuma dizer o nosso sábio povo," não estará a dar a mecha para o sebo"!...

Posto isso, se quisermos encontrar exemplos melhores, certamente que a Áustria, a Rússia e, obviamente Portugal, estarão mais facilmente entre os candidatos, todos eles em posição muito mais favorável que a Suécia. No caso particular de Portugal, cuja estratégia tanto assustará o cronista, para a mesma população, apresenta afinal quase mais cinco mil infectados - com eventual maior imunidade de grupo!-, sendo que a mortalidade será quase três vezes inferior...

Quando, mais tarde ou mais cedo, os povos se conseguirem libertar das grilhetas desta 'terrível besta', decerto que não deixarão de aparecer os que adoram fazer prognósticos no final do jogo, com o chavão do costume: "em bem que avisei"!...

Andar agora com as algemas no bolso, pronto para prender quem nos vai governando, tenha ou não tenha cão e pretender ter "Sol na eira e chuva no nabal", será...

Algo bem pior que este 'danado vírus!...

Leoninamente,
Até à próxima

Só eu sei porque fico em casa (43)!!!...



26 mortos por coronavírus nas últimas 24 horas em Portugal. Número de infectados voltou a subir


CORONAVIRUS EM PORTUGAL:    880 MORTOS   #    23392 INFECTADOS  

#  1277 RECUPERADOS   #   231737 SUSPEITOS  #   595 NOVOS CASOS

Só eu sei porque fico em casa (43)!!!...


Leoninamente,
Até à próxima

Sempre!...


O 25 de Abril e o Desporto

«Confesso: continuo apaixonado pelo 25 de Abril! Junto com a paixão que tenho pela minha mulher – sim passados 47 anos de casados, a juntar à meia dúzia antes de casarmos, continuo apaixonado! – e a paixão que tenho pela minha filha e pelo meu neto ( não tenho problemas em me declarar um pai e um avô baboso), o 25 de Abril é o outro alvo das minhas paixões. Será um defeito, o de me apaixonar por aquilo que amo efectivamente, mas é um facto a que não consigo fugir!

Porquê esta introdução, aparentemente despropositada? Para afirmar que estes 46 anos de Abril me vão custar mais a passar!

Confinado em casa, juntamente com a minha mulher, não vou poder encontrar-me fisicamente com os amigos e companheiros de Abril, recordar as alegrias e as decepções vividas, afirmar a vontade e a determinação em continuar a luta pelos valores que nos fizeram avançar para uma epopeia de que continuamos a orgulhar-nos, com muita honra.

Olhamos para trás, saudamos as enormes transformações que o nosso País teve, os avanços alcançados, os retrocessos sofridos, o que foi feito e o que, para além do que, feito, foi destruído, o que ficou por fazer, o que ainda almejamos alcançar!

Portugal é hoje um país muito diferente, para melhor! É um facto indiscutível, por muito que os saudosistas da ditadura, agora com novas roupagens, tentem dizer o contrário! Estamos melhor, mas, outro facto indiscutível, podíamos estar bastante melhor! Nomeadamente no campo da justiça social, sem a qual não há democracia a sério!

As liberdades são importantes, são fundamentais, mas a justiça social, alicerçada numa maior Igualdade é essencial, pois a Democracia não pode ser encarada como um objectivo em si própria, tem de ser vista como um instrumento para construir uma sociedade melhor, uma sociedade mais humana!

Sabemos que isso só se alcança com Liberdade, com Verdade e com Coragem!

São esses os valores que, também na área do Desporto, têm de orientar-nos, para alcançarmos o objectivo final que é precisamente o da Felicidade!

Falei de Desporto, porque considero que todos esses objectivos são mais fáceis de alcançar se tivermos um corpo e um espírito sãos! E, para isso, o Desporto, nas suas variadíssimas modalidades, é um instrumento fundamental!

Um Desporto são, não o que, como lamentavelmente muitas vezes acontece, aliena e embrutece os seus praticantes e adeptos! Nestes casos, estamos perante espectáculo e não Desporto!

É também uma luta que os amantes do Desporto têm de desenvolver. Desporto que teve um extraordinário incremento com o 25 de Abril. Mas que, tal como em muitos outros sectores da sociedade, sofreu retrocessos e desvios.

Neste 25 de Abril, passado em plena ‘guerra’ viral e global, através de Record, quero manifestar a minha esperança de que, também aí, na área do Desporto, possamos caminhar para um Mundo diferente, um Mundo melhor!

25 de Abril. Sempre
Um abraço de Abril!»

Sempre!...

Leoninamente,
Até à próxima

"O cravo não é um guarda-chuva"!!!...



Completam-se hoje seis anos anos sobre a primeira e última aparição em público deste quadro, da autoria do saudoso Marinho Neves, acontecida no Espaço Arte - Museu Municipal Carmen Miranda, por ocasião da Exposição "Revolução e Revolucionários" que a Câmara Municipal de Marco de Canavezes em boa hora incluiu no vasto leque de eventos que levou a efeito nas comemorações dos 40 Anos da Revolução de Abril.

Com Marinho Neves, além de partilhar uma boa amizade, partilhava uma grande parte das ideias de esquerda que nunca escondemos e passei a repartir com ele a convicção que o levou a escolher o título desta obra, " O cravo não é um guarda-chuva", a qual, depois de breve namoro que acabaria em casamento, acabaria dias mais tarde por me fazer chegar às mãos. Até hoje...

Marinho Neves e eu sabíamos, felizmente como tantos outros, que muita gente, com envenenado ódio ao "espírito de Abril", terá este cravo acolhido sob a sua flamejante corola, decerto prejudicada no seu fulgor, pela excessiva magnanimidade e contemporização. E infelizmente essa gente, que terá precipitado a partida e desgostado Salgueiro Maia e Melo Antunes, entre outros, acabou por levar a água ao seu moinho. Uma dessas serpenteantes criaturas terá chegado até à mais alta magistratura de uma nação e povo sem memória. Águas passadas que nunca mais voltem!...

Em memória de Marinho Neves que, esteja onde estiver, continuará para sempre coberto de razão...

"O cravo não é um guarda-chuva"!!!...

Leoninamente,
Até à próxima