«O povo tem expressões muito sábias, por exemplo, "não bate a bota com a perdigota", que é o que os benfiquistas sentem quando vêem a pálida equipa em campo e depois ouvem Jorge Jesus afiançar, pelo contrário, que jogaram mundos e fundos, provavelmente, num universo paralelo só ao alcance da vista de alguns eleitos. A realidade é esta: o Natal costuma ser pródigo em chalaças contra os rivais leoninos que costumam soçobrar nesta altura, porém, enquanto o Pai Natal parece este ano vestir de verde e branco, na Luz é a própria administração da SAD, através de Domingos Soares de Oliveira, que reconhece que o Benfica não está como se pretendia e os adeptos não estão satisfeitos pela falta de qualidade exibida que não se coaduna com o milionário investimento realizado. As bancadas não mostram, pois estão vazias, mas a intranquilidade e já algum desespero vão imperando.
No Sporting respira-se paz e uma atípica harmonia da qual Rúben Amorim é o superlativo responsável. No campo, contra o valoroso Paços de Ferreira, os adeptos podiam ir dormir descansados que já sabiam que dava vitória tal a confiança que se transpira. Contra o Mafra, comentei no início de jogo que o treinador estava a arriscar sem nenhum dos seniores experientes (Coates, Neto, Feddal) no trio de trás. Mas Gonçalo Inácio mostrou que tem estrada alcatroada para a titularidade e os restantes cumpriram, superando o "cenário difícil" e posicionando-se com ambas as vitórias para os objectivos da conquista das Taças.
Fora do campo têm sido recitais. O técnico fez das conferências de imprensa o palco para a criação de melodias apaixonantes como nunca se ouviram da boca do próprio Frank Sinatra. Se há umas semanas aqui escrevi que Rúben Amorim, para lá de verdadeiro director de comunicação do clube, era a voz que faltava nos dois anos de Varandas na presidência, ainda não sabia que um "soundbyte" seu - "Onde vai um vão todos"- se tornaria o mantra dos adeptos e tarja de apoio gigante no estádio para esta temporada.
Do genial cantor e actor norte-americano ficam duas sentenças por ele proferidas que se podiam aplicar ao jovem treinador: 1- "A grande lição na vida é nunca ter medo de nada nem de ninguém"; 2- "As pessoas dizem que sou um sortudo. A sorte é importante para conseguires a oportunidade de te mostrares no momento certo. Depois disso, tens que ter o talento e saberes como o deves usar". Coragem e talento, duas palavras sinónimas de Rúben Amorim, essenciais para o que os sportinguistas anseiam. Diziam que Frank Sinatra morreu. É falso, vive em Alvalade. Nas palavras do timoneiro soam o "My Way", o "Fly me to the moon", "That’s Life". Rúben Amorim já conquistou a alma leonina, está a esboçar os contornos de uma saga, só lhe falta ganhar tudo para ser eterno.»
(Rui Calafate, Factor Racional, in Record, hoje às 18:08)
* Texto escrito com a antiga ortografia
Ganhar tudo, sim, mas devagar, sem pressas e sufocando a ansiedade. Para já, venha o Farense e que ninguém pense nos que virão a seguir...
Apenas o Farense e... a vitória!!!...
Leoninamente,
Até à próxima