O milagre
O caso de Bruma estava longe de ser o mais relevante para o futuro do Sporting. Mas o seu desfecho era fundamental para a credibilidade do presidente. Recebido um imbróglio da anterior direcção, que pôs um jovem acabado de sair da formação a jogar na equipa principal sem quaisquer garantias, pedia-se a Bruno de Carvalho um milagre. A três meses de Bruma poder assinar por outro clube, o Galatasaray quis antecipar-se aos grandes. O Sporting acabou por conseguir vender o jogador por 10 milhões, ainda pode encaixar mais três e terá direito a um quarto das mais-valias numa futura transferência. Conseguiu, nas piores circunstâncias possíveis, fazer uma das suas mais lucrativas transferências. Com a venda de Ilori, livra-se de dois jogadores que não queriam ficar e recebe, à cabeça, 16,5 milhões. E ainda garante uma cláusula que dificulta o regresso destes jogadores ao campeonato nacional nos próximos cinco anos.
Se juntarmos a isto as boas e económicas compras feitas este ano – de que Jefferson parece, por enquanto, ser o melhor exemplo –, a reestruturação financeira do clube (que permitiu recuperar o passe de alguns jogadores), a difícil negociação com a banca, a limpeza interna e o bom começo de época, pode dizer-se que Bruno de Carvalho está a fazer o pleno. E a ultrapassar as melhores expectativas. Quem julgava que o homem era apenas um populista, capaz de agitar os adeptos e sócios, descobriu que é um bom negociador. Que sabe usar a intervenção pública inflamada, mas também gerir os silêncios, para conseguir vitórias nos bastidores.
Durante muitos anos, a quem quisesse dirigir o Sporting era exigida uma carta de recomendação escrita por banqueiros e gente com apelido sonante. Ao ponto de serem os próprios sportinguistas a confirmar a caricatura que deles era feita. Apesar de a direcção anterior ter apenas deixado dívidas, um sétimo lugar no campeonato e uma trapaça eleitoral, dizia-se que vinha aí o Vale e Azevedo. Pelo contrário, parece ter vindo um bom gestor e negociador. Que compra e vende bem num clube onde isso é raro. Há males que vêm por bem. Foi preciso bater no fundo para finalmente mudar de ciclo. Que no lugar do clube falido de aristocratas nasça então uma casa do povo, com adeptos e vitórias.
Revejo-me na visão e no sportinguismo de Daniel Oliveira !...
Leoninamente,
Até à próxima





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