segunda-feira, 23 de março de 2020

Recomeçar é preciso!...

Salgado Zenha: «Rúben Amorim tem o perfil certo»
Vice-presidente dos leões acredita que o comando técnico da equipa está bem entregue

RECORD - A vantagem que o Sporting parecia ter ganho ao contratar Rúben Amorim para começar já a preparar a próxima época, pode estar a perder-se, devido à paragem das competições?

FSZ – Tecnicamente, não sei dizer se é bom ou mau. Também não creio que prejudique, porque se forem retomados os treinos e se houver uma espécie de pré-época, pode permitir ao treinador ter mais tempo com os jogadores. Por outro lado, também vai ser uma transição de uma época para a outra diferente do habitual e isso pode prejudicar as equipas com treinadores novos. Sinceramente, não tenho sensibilidade para poder dizer isso. O que posso dizer é que temos um treinador que entrou com muita força, muita vontade de trabalhar, muita vontade de ganhar, muita fome de jogar. Por isso, a paragem não é boa para nós, mas também não o é para nenhum clube. Devem concluir-se as competições, por respeito a todas as equipas que nelas participam. Nós queremos entrar e entrar com o novo treinador.

R - As críticas feitas por causa do valor pago na rescisão do treinador com o Sp. Braga fazem agora mais sentido? Ou, pelo contrário, não fazem qualquer sentido?

FSZ – As decisões de investimento são sempre discutidas, debatidas e sujeitas a avaliação dos sócios, assim como aos comentários da opinião pública. Naturalmente, um investimento relativamente avultado está mais sujeito a essas opiniões. A decisão de avançar com a contratação teve a ver com os motivos que o presidente já transmitiu e com o facto de considerarmos que Rúben Amorim tem o perfil certo. Foi uma decisão muito discutida, complexa, mas muito bem justificada e com um racional muito forte. Isso dá-nos o conforto de estarmos a tentar fazer o melhor pelo Sporting, ao contratar-se um treinador que é, se calhar, uma das maiores promessas do futebol português nessa área. Em detrimento daquilo que muitas pessoas queriam e que era gastar esse mesmo valor em salários de um treinador internacional, reconhecido, mas na fase descendente da sua carreira e que cobraria isso no salário anual.

R - Mas foi uma decisão fácil de tomar pela administração?

FSZ – Estas decisões, por vezes, não são fáceis, mas, dentro das alternativas e do que melhor se adequa ao nosso projecto, não houve dúvidas em ir buscar o Rúben Amorim. É um treinador que aposta na formação e que conhece o futebol português, não só como técnico, mas também como jogador. É um técnico do qual temos as melhores referências. Pelo ‘feedback’ e pelo relatório que nos foi apresentado, também como pessoa tem óptimas qualidades, tem referências excelentes em todo o lado e na sua curta carreira teve sempre muito sucesso. Além disso, tem o perfil do treinador que foi campeão nacional nas últimas 15 temporadas – treinadores portugueses, formados localmente, que conhecem muito bem o futebol português, têm o discurso certo, não têm medo de apostar na formação e que, no final de contas, o que podia parecer caro sai barato. É isso que nós queremos.

R - Dada a contestação que é pública e surge de quase todos os quadrantes, Rúben Amorim era a última arma desta administração?

FSZ – Nós não vivemos num casulo e tapamos os ouvidos a tudo o que se diz. Temos consciência das críticas, consciência do risco que assumimos, mas esse risco é calculado, não é um risco desvairado. É um valor alto, mas, apesar de as pessoas não falarem nisso, houve jogadores contratados por valores avultados e que deram retorno zero ao Sporting. Com o Rúben Amorim, nós acreditamos que isso não vai acontecer. No futebol, tanto compramos jogadores, como foi o caso do Slimani, por umas centenas de milhares de euros e depois vendemos por quase 30 milhões de euros; como compramos por 8, 9 ou 10 milhões de euros, como já aconteceu no Sporting, e saem por zero. O futebol não tem muito a ver com outros sectores de actividade, onde existe uma taxa de rentabilidade que nós estimamos. Aqui é muito difícil, porque podemos ter taxas de rentabilidade de 10.000%, como foi o caso do Slimani, como podemos perder tudo em vários jogadores.

R - Na apresentação do novo treinador, Frederico Varandas garantiu que a contratação de Rúben Amorim não aumentava em 1 cêntimo o orçamento da próxima temporada. Pode explicar como é que isso é feito?

FSZ – É simples. Retira-se à aquisição de jogadores. Há uma verba para investimento em jogadores, e dessa verba vou  retirar o valor da aquisição do Rúben Amorim.

R - Em vez de comprar um ponta-de-lança por 10 milhões, o Sporting optou por contratar um treinador?

FSZ – Não sou eu que decido se vamos contratar um defesa, um médio ou um ponta-de-lança. Posso participar na decisão, posso ter uma palavra a dizer, mas não sou eu que decido. A decisão é do futebol. No que diz respeito à alocação dos recursos que temos, foi decidido que era importante investir num treinador que desse garantias. Se isso implicar, e implica, investir menos num jogador de campo, vai acontecer. Nós não esticámos o nosso orçamento para ir contratar o Rúben Amorim. Mantivemo-nos firmes naquilo que era o nosso orçamento para a próxima época, dedicando uma parte desse orçamento ao novo treinador.

R - Qual a posição do Sporting relativamente à atribuição do título e das vagas europeias para a próxima temporada?

FSZ – É a de que deve haver a conclusão dos campeonatos e deve ser a prioridade de todos os clubes e todos ‘stakeholders’ do futebol. Acabar os campeonatos é fundamental para a normalização. Haver um ano sem homologação dos campeonatos seria mau.

R - Utilizar a classificação da época 2018/19 está fora de questão?

FSZ – Não temos interesse nenhum em replicar o desfecho da época anterior, independentemente do lugar que ocupámos e de só muito dificilmente podermos chegar ao 2º lugar. Mas queremos acabar o campeonato. Isto é uma competição, nós somos competitivos, admitimos que foi uma época que não correu bem, mas temos um treinador novo e queremos acabar o campeonato.» (Continua)

Em continuação da introdução ontem por aqui deixada, a entrevista que João Lopes fez a FSZ e é prosseguida na publicação de hoje do jornal Record, parece possuir os ingredientes suficientes para desfazer as reservas que por aqui então deixei...

Recomeçar é preciso!...

Leoninamente,
Até à próxima

1 comentário:

  1. Boa entrevista. Tem um discurso fácil, fluído.
    Amorim foi uma decisão do CD que foi eleito para governar.
    Vamos deixar passar o Covid-19 e voltar à normalidade.

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