A diferença é o talento
«O Benfica venceu em Alvalade e com a derrota do FC Porto no Dragão, frente ao Sp. Braga, fica com sete pontos de vantagem. A Liga parece entregue. Sim, na época passada a equipa de Lage conseguiu uma recuperação fantástica que lhe deu o título, quando tinha precisamente a mesma distância para o rival. Mas a verdade é que parece haver nesta altura uma diferença maior de talento, unidade e confiança muito grande da Luz para os restantes adversários. E quando chega Janeiro e se vai ao Dortmund buscar um jogador por 20 milhões mostra-se que se está noutro patamar.
O Sporting vive numa encruzilhada complicada. Não foi inferior aos encarnados no dérbi, como não tinha sido frente ao FC Porto no clássico. Mas perdeu ambos. A explicação não é táctica, é qualitativa. Tanto Lage como Conceição têm mais talento à disposição. Então na hora de atirar à baliza nem se fala. Ontem, mesmo na 1.ª parte quando era dominado, o Sporting teve as melhores oportunidades. Golos nem vê-los. A Lage bastou Rafa. Pobre Silas.
As claques voltaram a dar um ar da sua graça. Não entendem sequer que com atitudes assim viram toda a gente contra elas. A não ser, talvez, quem os está a utilizar. O Sporting lá pagará as parvoíces dos meninos. Outra vez.»
(Bernardo Ribeiro, director de Record, Saída de Campo, hoje à 01:45)
Com três palavras apenas, julgo que Bernardo Ribeiro terá conseguido definir aquilo que, reflectindo exactamente uma "encruzilhada complicada", tem vindo a ser o Sporting ao longo de mais de metade da presente temporada: "golos nem vê-los"! E dá vontade de lhe dar carradas de razão quando defende, primeiro que a "explicação não é táctica, é qualitativa" e depois, quando afirmando que "a Lage bastou Rafa", se condói com a "pobreza de Silas"!...
A "encruzilhada complicada" em que hoje se encontram Frederico Varandas, Hugo Viana e, vá lá, Jorge Silas, exigiria medidas drásticas e imediatas, não fossem as terríveis condicionantes que envolvem cada um deles, a começar pelo presidente e que se reflectem depois na acção de cada um dos que se lhe seguem a jusante. Só os néscios teimam em continuar a atribuir toda a tremenda e total carga de responsabilidades da actual situação que se vive hoje em Alvalade, sobre os ombros de quem, por muitos erros que tenha cometido na curta porção de mandato que já cumpriu, terá herdado o mais venenoso e quase letal presente que algum presidente eleito alguma vez terá recebido em toda a longa e honrada história do Sporting Clube de Portugal.
Agora, para salvar os dedos, haverá que vender os anéis, porque terá ficado provado à evidência no último "mercado de Verão", que comprar anéis de pechisbeque para enfeitar os dedos, será sempre "emenda pior que soneto". Mais valerá a nudez dos dedos!...
Acresce que jamais poderá ser o "mercado de Inverno" a mola real da preparação de qualquer época. Uma boa dose de realismo recomenda-se a todos os adeptos sportinguistas. O que for ser feito nas duas semanas que ainda distam do fecho do mercado, poderá revelar-se de algum modo importante para o que resta da temporada. Mas decisiva será sempre a preparação da próxima...
A história desta época ficou escrita ontem!...
Leoninamente,
Até à próxima