NÃO É FÁCIL FALAR DE FUTEBOL
«Olhar a Liga hoje é ver comunicados, cartilhas, directores de comunicação, queixas, castigos, claques, conselhos de disciplina, árbitros e, sim, também jogadores e treinadores. A guerra é total. É complicado perceber onde começa e acaba o mérito de quem ganha e perde, porque raramente o que se passa em campo não tem longo prolongamento fora das quatro linhas.
Quer isto dizer que os que se queixam não têm razão? Não. Apenas que não é fácil falar de futebol e são poucos os dirigentes realmente preocupados com o actual estado de coisas. Porque todos pregam o mesmo, mas raramente de acordo sobre coisa alguma.
A cartilha do Benfica aos seus comentadores é mais um episódio da luta. Porto e Sporting conseguiram provar um mito urbano há muito desmentido. Não era difícil adivinhá-lo, tal a capacidade de tanta gente em dizer a mesma coisa. Mas agora os documentos são públicos e foram confirmados por Rui Gomes da Silva, um importante elo da tal comunicação. Não vejo gravidade por aí além na conduta, principalmente se assumida. Sinal dos tempos e lobby bem pago. É mais revelador para quem os recebe. São muitos.
Record revela que Porto e Sporting fizeram uma aproximação estratégica no caso das claques. A união chega, uma vez mais, contra alguém. É pena.
Estranho a posição de José Manuel Meirim em relação às queixas do Sporting. Para além de achar que o que Jonas e Samaris fizeram é muito mais grave do que Rui Vitória e Luís Bernardo, não entendo um juiz que se queixa das regras que é suposto defender e executar. Sempre a aprender.
No meio de tanta confusão o vídeo-árbitro é uma boa notícia. Não é bem futebol, mas foi o melhor que se arranjou.»
(Bernardo Ribeiro, Entrada em Campo, in Record)
Bernardo Ribeiro não precisou de uma extensa crónica para radiografar o estado actual do futebol português: "não é fácil falar de futebol"! Mas, sem surpresa, ficou-se pela constatação de alguns factos, a maior parte deles inócuos. Não revelou a coragem suficiente para ir mais longe, para, sem entrar no campo da especulação, levantar a ponta do véu sobre o muito que naturalmente já terá chegado ao seu conhecimento de tão candente matéria e "chamar os bois pelos nomes". Avançou apenas, de forma "politicamente correcta", até ao limiar do desassossego e por aí ficou. Como sempre e como todos os outros seus camaradas de profissão, que guardam no sotão o baú das provas dos males de que vai padecendo o futebol, apenas porque assim lhe exige o sossego, o comprometimento ou a subserviência...
Lamenta a "aproximação estratégica de Porto e Sporting" mas nem uma vírgula sobre a sua previsibilidade, causas, explicação e até justificação...
Confessa o quanto José Manuel Meirim lhe estará a transmitir de conhecimento, mas permite que uma montanha de outros factos que há muito terá entre mãos, continuem a ser tratados como tabu, em nome de algo que só ele saberá...
Não é fácil, de facto, falar sobre futebol!...
Leoninamente,
Até à próxima