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| Roger Spry, legenda e saudade !... |
"... Quem luta pela conquista do título em cada campeonato, como é o caso, na Liga portuguesa, do Benfica, FC Porto e Sporting, não pode deixar de considerar, por inerência, a participação na Champions. Se não for para a colocar no plano das prioridades, em termos da gestão do plantel, como parece ter sido o caso das escolhas de Jorge Jesus em Leverkusen, então torna-se obrigatório rever a política orçamental. Para se ganhar o campeonato português e para se andar com as contas equilibradas; para se realizar meia dúzia de jogos mais exigentes na competição nacional, certamente não será necessário apontar para 80 a 100 milhões de euros de orçamento. É possível manter a verve competitiva em Portugal e não ir muito além dos 25M€/época, que é aquilo que o Sporting está a gastar neste momento, por força também do seu passado perigosamente despesista. A diferença para o Chelsea foi grande? Foi. Mas, se o Sporting gastasse o dobro ou mesmo o triplo com o seu futebol, alguma coisa de substancial mudaria nos jogos com o Chelsea ou com equipas da mesma igualha? Dificilmente.
Para ganhar ao Penafiel, ao Arouca e ao Moreirense, nem o Benfica, nem mesmo o FC Porto, precisam de gastar tanto dinheiro. Acontece, porém, que a gestão do FC Porto não discrimina as provas europeias, e isso faz toda a diferença. E, sobre esta matéria, Vieira e Jesus têm de pôr-se de acordo. Tanta propagandeada proximidade, tanto entendimento até por sinais de fumo, e não há diálogo sobre uma temática tão premente e estruturante?
Esta deslocação do Benfica a Leverkusen levanta dois outros tipos de problema:
1) Esta equipa é bem inferior à da época passada;
2) O ritmo competitivo da Liga portuguesa é uma brincadeira em relação ao que se observa na maior parte das ligas europeias.
Esta última conclusão coloca tudo em causa e recupera uma ideia que defendemos: o futebol português tem um bom nível táctico, mas as equipas “andam pouco”. Por quê? Não estará por fazer uma “revolução” física no futebol português? As equipas portuguesas não deveriam ter outro andamento?!..."
Só não se apercebe desta crua realidade, quem andar muito distraído! Há longos anos que a vertente física do futebol português "ficou a ver navios", enquanto que a componente táctica evoluiu para os mais elevados patamares europeus e não só!
Quase sem excepções, os principais clubes do primeiro escalão do nosso futebol, vêm apostando e bem, nos bons treinadores que o nosso futebol vem produzindo, no pressuposto, aparentemente correcto, de que as componentes técnico-tácticas que estes amplamente evidenciam, bastarão para que as equipas alcancem os objectivos fixados.
Porém, tanto os dirigentes quanto os técnicos contratados, parecem continuar a menorizar, a confrangedora "falta de andamento" das suas equipas. Nas competições domésticas, tudo rola sobre esferas! Todos afinam pelo mesmo diapasão! Mas perante os sucessivos "desastres", acontecidos nos confrontos internacionais, nem dirigentes nem treinadores parecem aperceber-se de que o "rei vai nu"!
A preparação física ministrada no futebol português, em vez de acompanhar a nossa fantástica evolução técnico-táctica, estagnou, parou no tempo e os seus agentes, carregados de presunção e água benta, parecem preferir continuar cegos e surdos à realidade exterior. Comparar "o andamento" das equipas inglesas e alemãs, com a "pobreza franciscana" daquele que evidenciam as equipas portuguesas, apenas escapará aos nossos preparadores físicos, tal a sobranceria e o convencimento que exibem sobre os seus atributos, indiferentes a novos processos, novos métodos, novos caminhos, que nos chegam do exterior, porque recusada a estagnação que por cá se vai cultivando.
Lembro-me da revolução introduzida no futebol português, com a chegada a Portugal de grandes treinadores/preparadores físicos estrangeiros, de que Jimmy Hagan e Roger Spry terão constituído os melhores exemplos e do salto qualitativo que, por osmose, exemplo ou simpatia, então se verificou.
Hoje e aqui, ninguém questiona os atributos, o saber, a experiência, a capacidade e os contactos formativos com as mais avançadas escolas europeias, de um qualquer "licenciadozeco", desde que jure fidelidade eterna ao técnico principal, que o algema a si próprio e o leva até ao fim do mundo, sem cuidar de saber do impacto e importância que essa vertente do treino poderá ter no seu próprio êxito. Importante, mais importante que tudo, serão sempre a sintonia e a fidelidade.
E os dirigentes, na ânsia cega de contratarem determinados técnicos, fazem-se cegos, surdos e mudos a aspectos capitais da organização e treino, satisfazendo-lhes todas as exigências no que respeita às equipas técnicas que os acompanham, sem alguma vez acautelar a qualidade de cada um dos elementos do exército que lhes entra pela porta dentro, quantas vezes bem mais caro que outra solução, quiçá mais reduzida em número, mas de qualidade infinitamente superior.
Enquanto não assistirmos primeiro, à necessária "revolução de mentalidades" do dirigismo e dos treinadores portugueses, bem que poderemos esperar sentados, pela "revolução física" no futebol português!...
Leoninamente,
Até á próxima










