Já por aqui deixei suficientemente claro, aquilo que penso de Paulo Bento como treinador e bem assim como seleccionador nacional. Num e noutro papel, desejaria que no mais curto prazo ele fosse pregar para outra freguesia, permitindo-nos que de novo, alguém mais sagaz técnica e tacticamente e com a coragem que ele, cem anos que viva, jamais evidenciará, trouxesse para a equipa de todos nós, as asas em que pudéssemos voar em busca dos sonhos que legitimamente entenderemos merecer alimentar.
O campo de recrutamento luso, em termos quantitativos, dificilmente será comparável com qualquer país de topo do futebol mundial. Mas no meio da nossa pequenez, sempre me pareceu não ser muito difícil, conseguir encontrar em cada momento específico, duas dúzias de atletas, em forma apurada, cuja qualidade disfarçasse um pouco a nossa dimensão. Desde que a escolha fosse criteriosa e jamais enfeudada a preconceitos estranhos ao futebol ou à personalidade errática do seleccionador. E será precisamente por aí que terá começado a germinar o meu "ódiozinho de estimação" por Paulo Bento.
O actual seleccionador de Portugal, terá lido a correr a cartilha "scolariana", que sempre apontou para a constituição de um grupo quase imutável de jogadores, ainda que no meio a qualidade de alguns fosse duvidosa. Porque dizia o "sargentão" que o espírito de grupo sempre superaria o talento, a classe e a forma circunstancial de cada elemento desse grupo. A filosofia poderá eventualmente estar correcta, quando estiver em causa alicerçar um colectivo em tempo mais alargado, com vista a apresentá-lo numa fase final de uma grande competição, depois de vencer a via sacra do respectivo apuramento. Mas há anos e anos que se vem revelando um tremendo fracasso, na transposição de todas as fases de apuramento a que temos sido sujeitos. Já se tornou um "cliché" entre os adeptos do futebol luso, o recurso à máquina de calcular e ao fado incontornável dos "playoffs".
O drama da nossa selecção de futebol, desde que Paulo Bento assumiu a liderança do seleccionado português, tem sido conseguir o apuramento, em grupos que a sorte nos tem oferecido como fáceis, por via da sua estúpida e curta visão de escolher ao longo desses apuramentos, não os atletas em melhor forma, que pudessem corresponder no imediato à necessidades da equipa de todos nós, mas à preservação da sua carcomida ideia do espírito de grupo, quando os calendários lhe oferecem apenas meia dúzia de dias para preparar tal grupo. E deste modo, temos passado todas as fases de apuramento com o terço nas mãos e com a desesperança a minar dezenas de atletas talentosos que vão aparecendo, porque o seleccionador pura ou simplesmente os ignora, já que a sua preocupação exclusiva será, construir o "espírito do seu grupo", com os seus "protegidos", pouco lhe importando a má forma, ou mesmo as deficientes condições físicas que muitos revelem em cada momento.
A juntar a toda esta complexa teia em que Paulo Bento se vem enredando, estarão os deficientes atributos tácticos que há muito todos conhecemos e que um grande e esclarecido sportinguista ontem nos ofereceu de forma sublime. Ora façam-me o favor de ler:
A versatilidade táctica de Paulo Bento
A selecção dispõe de dois planos de jogo. Normalmente, jogam onze, com o Postiga, e espera-se que o Ronaldo decida. Se as coisas não estiverem a correr bem, jogam onze, sem o Postiga, e espera-se que o Ronaldo decida.
Contra a Suécia não estava a correr bem o primeiro plano. O Paulo Bento mudou para o segundo e ganhámos. É o que se espera de um treinador. Que saiba mudar de táctica quando as circunstâncias o determinam. É esta versatilidade táctica que distingue o Paulo Bento como treinador.
E voltando a parafrasear Rui Monteiro, falámos da selecção, mais mal do que bem, falámos também do Paulo Bento, sempre mal, falaremos porventura de Estocolmo, conformados. Mas se tal nos calhar em sorte, ainda poderemos apoiar o Brasil. E se porventura para a Suécia, em vez do nosso triste fado, levarmos um corridinho algarvio, à versatilidade táctica de Paulo Bento o ficaremos a dever.
Leoninamente,
Até à próxima