Rui Borges e Mourinho ficam?
«Aqui escrevi no final da pretérita temporada, face a todas as contingências, saída atribulada do treinador do projecto (Ruben Amorim), onda de lesões e arbitragens incompetentes que Rui Borges com a conquista do bicampeonato merecia uma estátua. Contudo tenho a certeza que os leitores nunca me viram afirmar que o transmontano era um excepcional treinador. Tem um discurso correcto (sem espectáculo comunicacional), gere bem o balneário, tem os pés assentes na terra mas já provou inúmeras vezes que em determinados momentos é muito poucochinho.
Fintou eficazmente a saída de Gyokeres com um sistema que tem dado frutos face ao momento excepcional de Luis Suárez e ao talento de Trincão e Geny, porém, naquelas alturas em que não pode falhar, claudica, assumindo a mentalidade de treinador de clube pequeno. O bom exemplo é o que se passou em Braga. Posse de bola liliputiana, entregando o jogo aos do Minho e ao fabuloso jogador que é Zalazar, fechando-se lá atrás, esperando apenas pelo contra-golpe que deu a perda imbecil de dois pontos. Isto é muito poucochinho.
Na Noruega um desastre e as condições climatéricas e o campo não são desculpa. Na Champions não pode haver défice de atitude nem intensidade. Quem viu o jogo percebeu que o Bodo/Glimt queria muito ganhar e a vontade do Sporting ficou no autocarro. Até se pode inverter a situação numa noite épica, mas a amostra foi raquítica e deu um banho de desilusão. Por isso é caso para pensar se Rui Borges pode dar mais do que isto. Se conquistar o tri, naturalmente, merece continuar porque os sportinguistas têm algo que vai faltando por aí: gratidão. Se falhar objectivos e nem um troféu conquistar julgo que Frederico Varandas terá de ponderar, pois os adeptos podem partir para a próxima época desconfiados da capacidade de Rui Borges.
E no Benfica José Mourinho deve continuar? Sabemos que não foi ele que escolheu o plantel, todavia, contra o FC Porto foi Leandro Barreiro a limpar o apagão da primeira parte. Os encarnados tinham de ser donos do jogo mas não o conseguiram. A qualidade do futebol é baixa, não há dinâmica de ataque. No discurso Mourinho arranja sempre estratagemas para se manter na mó de cima e, como o melhor dos prestidigitadores, semeia factos que manipulam as percepções e iludem a realidade. O setubalense é um dos melhores treinadores de sempre mas passado está no museu. O Benfica está obrigado a inverter a situação e mantenho dúvidas se Mourinho é o homem certo para um novo ciclo.»
Pois é! Sei não!!!...
Leoninamente,
Até à próxima